0. Arte
Ao longo da história da humanidade,
sucederam-se vários estilos artísticos e, a acompanhar, várias teorias procuram
explicar o significado e a finalidade da arte ao longo de séculos, as técnicas
e os materiais de produção artística predominantes em cada época histórica.
Sendo assim, podemos concluir através de
Benim (SD:121), a arte
é a expressão do Homem através de diferentes manifestações que
representam ou interpretam um determinado fenómeno ou situações reais, ou
imaginárias, que incidem na sensibilidade humana.
0.2.
Arte Rupestre
Arte rupestre, pintura rupestre ou ainda
gravura rupestre, são termos dados às mais antigas representações artísticas
conhecidas, as mais antigas datadas do período.
Paleolítico Superior (40.000 a.C.)
gravadas em abrigos ou cavernas, em suas paredes e
tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares
protegidos, normalmente datando de épocas pré-históricas.
0.3.
Arte
Moçambicana
Ainda de acordo com
Benim (SD:121), nos seus estudos sobre a arte de Moçambique a
necessidade de sobrevivência levou o homem a usar a inteligência e as suas mãos
para transformar a natureza, criando instrumentos de trabalho, utensílios domésticos,
armas e posteriormente criou instrumentos de dança ritual, mascaras, esculturas
e outras [pecas que eram usadas na evocação dos deuses. Actualmente existe
pouca literatura acerca da história da arte moçambicana, apesar da sua vastidão
e riqueza, sendo de destacar as obras que têm, ao longo dos anos, o património
artístico nacional, assim sendo, a pintura, a escultura, a cerâmica e a
cestaria são algumas das manifestações artísticas que integram o universo
cultural moçambicano.
Algumas contribuições que cada um de nós pode
dar ao nível do património podem ser Acções de sensibilização sobre o valor do
património, ajudando a identificar elementos do nosso património ainda
desconhecidos participando na sua inventariação e em acções de restauro e conservação.
Nos últimos tempos, a actuação do Homem, com o aumento do número de indústrias,
o aparecimento de meios de transporte motorizados e a guerra, tem vindo a
afectar e a provocar alterações ou até mesmo a destruir este legado, pondo,
desta forma, em perigo o património.
1.
Percurso
de alguns artistas moçambicanos
O colonialismo continuava a procurar
adaptar-se aos novos tempos. O pensamento imperial cedeu lugar à Nação
pluricontinental e multirracial. Com o objectivo de materializar esta política
e de alargar a base social de apoio, alguns colonizados, vivendo e trabalhando
nas cidades e exercendo as profissões que o colonialismo lhes destinava, foram
encorajados pelo governo colonial a receber lições de arte, a aprender técnicas
europeias, a tornar-se artistas.
Jacob
Estevão, Elias Estêvão (1937-1960), Vasco Campira (n.1933), Agostinho Mutemba
tiveram aulas com Frederico Ayres, um pintor naturalista que se destacou na
pintura de paisagem e na pintura de história. Realizaram exposições em
Moçambique e na metrópole, para dar visibilidade à acção civilizadora’
exercida, mas o seu trabalho não foi nunca apreciado de forma independente.
Olhados como derivativos e imitativos foi-lhes negada a possibilidade de
explorarem individualmente esta experiência. É de notar a influência que
exerceu junto de jovens do seu tempo para quem o seu exemplo foi decisivo
na escolha que, alguns, mais tarde fizeram embora tenham sido muito poucos os
que seguiram o seu género de pintura.
Jacob Estêvão (1933-2008) é
quem melhor representa o que acabamos de referir. Agostinho Mutemba (n. 1937),
menos mediatizado, foi capaz de estabelecer uma relação diferente com o
contexto cultural envolvente e prossegue calmamente, ainda hoje, um estilo
próprio que tem apreciadores e seguidores. O seu trabalho, embora escapando a
esta percepção dominante, não escapa à associação com a ideia de uma África que
se mantém ‘no passado’.
Malangatana
(1936-2011), um outro jovem colonizado que ambicionava
ser artista, começou a desenhar e a pintar nesta mesma época. Preferiu, como me
disse, ter lições de arte no Núcleo de Arte onde ensinava João Ayres, um
artista moderno que apreciava, e onde se encontravam pessoas que admiravam.
Pouco depois, no Núcleo de Arte, conheceu Pancho Guedes. Foi um encontro que
mudou a sua vida e sobre o qual já muito se escreveu. Malangatana abandonará
algum tempo depois o Núcleo de Arte, por conselho do arquitecto, para encontrar
um caminho tanto quanto possível livre de influências e a sua carreira seguiu,
fruto do seu esforço pessoal e de condicionalismos históricos, um rumo
completamente diferente nos anos seguintes. A sua primeira exposição individual
aconteceu em 1961. O seu nome passou a ser associado a uma expressão moderna “puramente”
africana. Foi considerado ‘um dos primeiros pintores de África’, ‘um pintor
natural, autêntico, verdadeiro e sincero’, um pintor em cujo trabalho ‘a
composição e a harmonia de cores aconteciam tão naturalmente como as histórias
e as visões’. Malangatana estava interessado em ‘mostrar as coisas dos antigos
pois era possível ser civilizado sem deixar o que era seu/nosso’.
Na mesma época, um outro jovem, Abdias (n.1940), pintor de automóveis
durante o dia, à noite estudante na Escola Industrial, tinha a mesma ambição
que Malangatana. Tal como ele expressava-se livremente sobre as suas
experiências de vida e sobre a situação que se vivia em Moçambique. Pancho
Guedes seleccionou trabalhos dos dois (e de outros três jovens, Mitine Macie, Augusto Naftal e Alberto
Mati) para a exposição de arte africana contemporânea integrada no
Congresso Internacional de Cultura Africana realizado em Salisbury (actual
Harare no Zimbabwe), na então Rodésia do Sul, em 1962.
Ntaluma :
nasceu em Nanhagaia, na província de Cabo Delgado. Em 1992 criou, em Maputo,
juntamente com um grupo de amigos, a “Favana Grupo de Escultores Makondes”.
Começa, em 1994, a ensinar a sua arte e, hoje, a sua reputação espalha-se já
pelos quatro cantos do globo.
Silva
Dunduro: é outro dos grandes pintores de Moçambique,
que se detém a retratar os marginalizados como deficientes, velhos,
prostitutas, etc. os seus quadros, de cores vibrantes e de formas vigorosas,
reflectem a sua preocupação com a sociedade moçambicana.
2.
Importância
da Arte
De acordo com Samora Machel, a cultura é o
sol de um povo com papel importante na documentação da vida dos povos: no que
diz respeito aos hábitos e costumes, forma de estar e de agir em relação ao que
lhes coloca com a função de confortar a alma.
3. Pintura
A pintura é a representação que resulta da
aplicação de tinta numa superfície. A realização da pintura requer sempre a
presença de um suporte de tinta e, se possível, de fixador. Todo o trabalho de
pintura caracteriza-se pela presença de cor.
O conceito de pintura vai sendo aperfeiçoado a medida que os tempos
passam e de acordo com os ideais. Inicialmente, a pintura estava relacionada
com a aplicação ou uso de pigmentos em forma liquida a uma superfície de modo a
colori-la. Com o desenvolvimento tecnológico permitiu a elaboração de obras de
pintura no computador, sem no entanto recorrer o uso de pigmento em forma
líquido.
Ao
longo dos tempos, a pintura à óleo algumas das mais importantes obras de
pintura, a mesma que também é usada por muitos pintores moçambicanos. Toda
pintura é formada por um meio líquido, chamado médium ou aglutinante, que tem o poder de
fixar os pigmentos (meio sólido e indivisível) sobre um suporte. A escolha dos
materiais e técnica adequadas está directamente ligada ao resultado desejado
para o trabalho e como se pretende que ele seja entendido. Desta forma, a
análise de qualquer obra artística passa pela identificação do suporte e da
técnica utilizadas.
A pintura em Moçambique passou por várias
fases, das quais mencionamos:
a) Fase
pré-histórica (pinturas rupestres em vários pontos do país) :
Ø
Pintura rupestre em Manica;
Ø
Conjunto pictográfico
rupestre da serra de Chicolone e e Chifumbazi;
Ø
Os de Riane na província de
Nampula.
b)
Fase colonial (anterior a
independência ): vários artistas abordavam assuntos relacionados com a
emergência de uma consciência nacional, como é o caso da pintura de grandes
representantes como Malangatana, Chichorro e outros.
c) Fase
da independência: criou-se grandes retratos e murais abordando o contexto
social e político. Neste momento surgiram muitos artistas pintando paredes com
expressões revolucionárias que estavam espalhadas por todas as paredes, nos
locais públicos.
Um dos maiores pintores da época
contemporânea é Malangatana Valente Guenha, que alem de pintor, cantava,
dançava, escrevia poemas, participava nas pecas teatrais, trabalhava com a
cerâmica, a escultura entre outras actividades, passando assim a ser
considerado o embondeiro das Artes plásticas de Moçambique.
Telas
de Malangatana
4.
Região
de Moçambique
A pintura como obra de arte, em Moçambique, é
relativamente nova em relação a escultura, pois esta durante muito tempo esteve
ligada à pintura corporal, isto é, tinha como suporte ou superfície o corpo
humano. As pessoas pintavam o seu corpo com fins rituais ou estéticos - basta
lembrar o rosto pintado de mussiro e assim se representava a pintura que
podia incluir todo o corpo.
A pintura como obra de arte começa a enraizar-se em Moçambique de forma
pronunciada a partir do século XX, com a imigração de alguns pintores ou
descendentes de colonos vindo da Europa (Portugal) ou Ásia (India Portuguesa-Goa),
mas é com fundação do Núcleo de Arte do antigo Lourenço Marques, atual Maputo,
que se vai popularizar esta arte, chegando a ganhar mais destaque com a entrada
de pintores como Malangatana Ngwenya, Jacob e outros.
5.
Arquitectura
Moçambicana
Arquitectura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o
propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para
determinada finalidade
e visando a determinada intenção. Ou,
arquitectura é uma actividade que esta virada para a criação de espaços onde o
Homem pode realizar as suas actividades em condições ambientais e visuais
adequadas.
A arquitectura é arte porque usa edifícios para transmitir sensações
estéticas para além do carácter utilitário que esta desempenha na nossa vida.
Como em qualquer forma visual, a forma arquitectónica é composta por:
Ø
Superfície, estruturas,
textura, cor, materiais, massa que contribuem para marcar e caracterizar um
lugar, uma rua, um jardim, uma cidade. A
presença da forma arquitectónica num determinado espaço conduz o nosso olhar,
procurando percepcionar e sentir o espaço.
Em Moçambique o
urbano e o rural são dois países com evoluções próprias, paralelas ou
confluentes, mas ainda muito distantes (ou mesmo em distanciamento
progressivo...) em termos da expressão de formas diversas de habitar. O
camponês, herdeiro das tradições técnicas ancestrais que lhe permitem viver em
equilíbrio com o meio ambiente, vai, paulatinamente, integrando nos seus
saberes e necessidades outras exigências e outras possibilidades. Mas está
ainda longe das mutações culturais que, um dia, o farão urbanizado.
6.
Arquitectura
Tradicional ou Rural Moçambicana
6.1.
Características da arquitectura tradicional ou popular moçambicana
A arquitectura tradicional ou popular é de
estrutura simples, de material natural geralmente existentes nas comunidades
rurais. O conhecimento técnico desta arte obedece os princípios culturais de
formação dos seus construtores baseados na transmissão de geração em geração, o
que as habilidades e capacidades para construções, são transmitidos de avo para
o pai, para filho até às gerações posteriores.
A
arquitectura tradicional moçambicana existe ao longo do território nacional de
modo particular no campo, por outras palavras, podem afirmar que esta
arquitectura é tipicamente campestre pôs com o desenvolvimento industrial as
matérias naturais (palha, capim, barro, madeira, etc) anteriormente
usados, foram sendo substituídos pelas matérias industrialmente produzidas
(cimento, azulejos, tijolos, chapas de zinco, etc.) dando lugar ao surgimento
das cidades no nosso país. Esta arquitectura possui várias características das
quais se destacam as seguintes:
Ø
Planta circular de
cobertura cónica;
Ø
Planta quadrangular de
cobertura piramidal a quatro águas.
Ø
Planta rectangular com cobertura a uma ou duas águas.
A técnica de construção usada e mais
conhecida é a técnica tradicional mas podemos também chamar a técnica de
pau-a-pique , aquela que implica uma construção à base de material natural
(bambu) ou varas entrecruzadas, posteriormente “maticadas” o que significa
cobertas de barro ou com arreia, para se
compor as paredes da casa.
6.2.
Arquitectura urbana
e suas características
Arquitectura Urbana caracteriza-se por
integrar áreas tradicionais da Arquitectura, mas de uma forma geral não
praticada em conjunto: planejamento, Avaliação e Controle, Gestão Pública,
Desenho Urbano, Transporte, Geotécnica, Saneamento e Meio Ambiente, procurando
acompanhar o avanço tecnológico e incorporando novas técnicas e procedimentos
operacionais de Planeamento, Concepção e Produção, ao controle da qualidade
ambiental das cidades e territórios, no Máximo possível usando a sinergia da
dinâmica do desenvolvimento na produção e registo da cidade, apoiando e se
beneficiando da economia de mercado para a produção da infra-estrutura social.
Em nossa forma de actuação, procura mos desenvolver e criar opções
criativas, não convencionais, aos conceitos de cada empreendimento s públicos
ou privados em seu aspecto institucional e técnico, normalmente com soluções
inovadoras. Em significativas oportunidades, nossa participação se iniciou no
apoio ao cliente, na procura de soluções alternativas a estudos e projectos,
muitos dos quais, em fase adiantada de desenvolvimento, quando por nossa
analise e sugestões, trocou-se de partido para um mais interessante e a custos
menores, obtendo melhor retorno social e económico.
7. Escultura
De acordo com Rosemary (1981:90-80), a Escultura é
uma expressão artística que se fundamenta na criação de objectos
tridimensionais. Alargando o campo estético da pintura, que tem um carácter
eminentemente visual (embora, durante a última centúria tenha conhecido notável
incremento das dimensões sensoriais), a escultura adiciona a percepção táctil e
as sensações de matéria, volume, peso e espaço. Estas características permitem
aproximá-la da arquitectura, verificando-se que em muitas culturas era corrente
a associação de esculturas com as estruturas arquitectónicas. A escultura
tradicional pode classificar-se de exenta (quando tem a forma de estátua
de vulto redondo) e de relevo (adossada a um plano de suporte) - neste caso com
as subclassificações de baixo-relevo ou alto-relevo. Pode elaborar-se aplicando
vários processos.
Ø
Entalhe também designado
por cinzelado, um processo subtractivo que se baseia na eliminação de matéria a
um bloco de maneira a obter-se a forma pretendida.
Ø
Michelangelo constitui um
dos expoentes máximos desta técnica de trabalho.
Embora seja mais frequente o uso de pedra,
nomeadamente do mármore, é também possível o emprego de madeira ou de outros
materiais mais raros, como o marfim. Tanto as esculturas em madeira como as de
pedra são muitas vezes policromadas.
Ø
o modelado, feito com
materiais brandos como cera ou argila. Devido à fragilidade do resultado, o
modelado usa-se sobretudo para esbocetos e estudos preliminares ou ainda como
base de criação de moldes para estátuas executadas com metais fundidos. A
fundição de esculturas, com utilização de moldes remonta à pré-história.
7.1.
Escultura Maconde
É um tipo de arte escultórica surgido na
província de Cabo Delgado, em Moçambique, que ao longo dos tempos se estendeu
por todo o território nacional. Esta cultura revela grande domínio da técnica
do trabalho em madeira mas também grande poder de criação artística, representando
animais e seres humanos, normalmente em actividades do dia-a-dia da sociedade.
Em muitas das suas criações, embora procurando partida configuração de tronco
de arvore, compõe outras formas fazendo a combinação de cores da parte interna
e externa do tronco escolhido.
Na escultura maconde existe dois estilos mais
usados, que são:
Ø
Shetani:
aquela
que apresenta figuras fantásticas ou do mundo imaginário.
Ø
Ujamaa: aquela que
apresenta esculturas com rigor técnico de representação anatómica, isto é,
respeita as formas naturais para representar os seres humanos, assim como os
seres animais.
8. Conclusão
Este trabalho é resultado uma investigação
profunda realizada pelo grupo. O grupo concluiu que a abordagem deste tema
ajuda aos estudantes, na interacção com a arte no sentido real e favorece o desenvolvimento
de capacidades e habilidades dos mesmos.
Com este trabalho pretendemos que todos os
estudantes se sintam mais aptos para abrir ou posicionar sua visão artística.
9. Bibliografia
BENIM,
Nigéria, Historia de África. Sede da região Centro – Oeste, SD.
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